Nos últimos anos no cenário nacional tem aparecido novos e bons artistas que vem mantendo com seus discos a produtividade de uma safra que continua dando bons frutos. A lista de Melhores Discos Nacionais do ano passado foi um pequeno apurado disso que serviu para elencar numa ordem preferencial discos dignos de serem apreciados numa cena cada vez mais heterogênea e que se aprimora a cada disco lançado.
Esse ano já estamos chegando quase no final do primeiro semestre e temos muitos trabalhos nacionais publicados aqui no blog, part.1 e part.2, e dentre eles um dos meus preferidos, o disco solo da Aline Lessa (download). Daí, seguindo a sugestão do Marcos Xi, editor-chefe do Rock In Press, resolvi fazer a primeira entrevista do blog perguntado pra ela, ex tecladista da Tipo Uísque, sobre o disco, influências, visão do cenário atual quanto à projeção de novos artistas na mídia e perspectivas para o futuro. É isso! Abaixo você confere a entrevista completa.
Meus agradecimentos a Xi e Lessa!
MC: Bem, é comum em entrevistas perguntar ao artista/banda que bandas ele gosta de ouvir. Sendo assim, quais suas bandas preferidas?
AL: Sou muito eclética e tenho uma certa dificuldade em dizer quais são as minhas bandas/artistas preferidos. Posso citar alguns daqueles que de alguma forma foram importantes na minha formação musical: The Beatles, Radiohead, Elliott Smith, Chico Buarque, Adriana Calcanhotto, dentre muitos outros! Mas penso que tudo o que ouvimos, queiramos ou não, acaba nos influenciando.
MC: A nova MPB, como muitos tem chamado os novos artistas desse meio, tem sido um campo fértil e que tem dado bons frutos ultimamente como Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz, Tiê, Céu, Tiago Iorc, entre outros, com discos que lhes renderam merecidos elogios. O cenário no momento parece promissor pra você?
AL: Sem dúvidas. Andam dizendo por aí que a MPB não é mais a mesma, que a MPB morreu, que a MPB está fadada ao fracasso… E eu discordo. Acho que o que acontece hoje é que como qualquer pessoa pode se autodeclarar artista, gravar seu disco e divulgar sem precisar tanto das grandes mídias, o papel de seleção fica nas mãos do ouvinte e às vezes fica difícil chegar ao que é realmente bom em meio a uma oferta tão grande. Mas o que eu vejo hoje é muita gente talentosa fazendo coisa boa e – o que é mais legal – um público interessado em música de qualidade.
MC: A criação de um disco é um negócio bem particular de cada artista. O que te inspirou nas composições e em dar tom e voz ao seu primeiro disco, autointitulado? E que retorno você espera?
AL: Compor, pra mim, sempre foi muito mais uma necessidade do que uma vontade. As músicas desse meu primeiro disco retratam momentos diferentes da minha vida. Busco inspiração nas minhas próprias dores e escrevo pra expressar o que não consigo dizer de outra maneira. O retorno que eu esperava com esse lançamento era não mais do que o que eu já venho recebendo: Pessoas escutando, se identificando e se emocionando com o trabalho.
MC: Disponibilizar um disco pra download gratuito e compartilhar nas redes sociais, sem falar nos blogs que publicam o material, tem sido um meio eficaz para divulgação de um trabalho, porém o CD físico acaba sendo dispensado por alguns que optam apenas pelo formato digital. Há uma dificuldade nisso? O acesso ao download gratuito e streaming de música tem uma influência negativa quanto as pessoas comprarem o disco ou a cultura de comprá-los está desaparecendo cada vez mais? E melhor, irás lançar seu disco em CD e vinil?
 
AL: Eu particularmente já entendi e aceitei que lucrar com a venda de CDs, DVDs e vinis hoje em dia é pra poucos, ainda mais quando se trata de um artista novo. Eu gosto muito da ideia de facilitar o acesso à arte – e o streaming me parece a forma mais eficaz e direta de se chegar ao público. Pretendo fazer uma tiragem mínima do álbum físico, com um material gráfico diferenciado, muito mais para ver a obra concretizada e palpável que para tentar capitalizar em cima de vendas.
Veja a entrevista no link abaixo:

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